México 1986
Pré Copa do Mundo
Em 1966, a Fifa decidiu que a Copa de 1986 seria na Colômbia. Na teoria, haveria 20 anos de preparação. Porém, na prática, os colombianos viviam problemas políticos e sociais. Além da violência instaurada pelo tráfico de drogas, comandado pelo cartéis de Bogotá, Cáli e Medelín, havia ainda as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) um grupo guerrilheiro que poderia incomodar em plena Copa do Mundo. No dia 29 de setembro de 1982, o presidente colombiano, Belisário Betancurt, anunciou que o país abriria mão da Copa, alegando ´´insuperáveis dificuladades`` econômicas e sociais.
Imediatamente, Inglaterra, Alemanha e Espanha levantaram a mão pedindo para receber a Copa. Holandeses e belgas, numa candidatura conjunta, fizeram a mesma coisa. Mas a Fifa queria manter o revezamento entre os continentes, o que significava uma Copa no continente americano. O Brasil se prontificou, mas o presidente João Figueiredo barrou. Os Estados Unidos também ficaram interessados, mas a Fifa não levou a sério. Entre os candidatos restantes, Canadá e México, venceu o que já possuía experiência em Mundiais. A entidade nem se importou em criar um precedente ao definir um país que já havia sediado um Mundial (Em 1970) e confirmou a decisão em 20 de maio de 1983.
Mas o Mundial no México sofreu um abalo. Ou melhor, dois. No dia 19 de setembro de 1985, um terremoto de 8,1 graus na escala Richter (que vai de 0 a 9) atingiu o país. Um dia depois, houve outro tremor de terra, de 7,3 graus. Milhares de construções ficaram destruídas em Guadalajara, Colima, Guerrero, Michoacán, Morelos, Veracruz e principalmente Cidade do México. O número oficial de mortos chegou a 9.500 - algumas fontes chegaram a falar em 35 mil -, além dos 30 mil feridos e 100 mil desabrigados. Apesar de tudo, o México garantiu a Copa. As edificações prioritárias (como hotéis) não foram afetadas, nem os 12 estádios selecionados- em 9 cidades diferentes.
Cidades e estádios
Cidades-sede: Cidade do México, Guadalajara, Irapuato, León, Monterrey, Nezahualcoyoti, Puebla, Querétaro e Toluca
Estádios: Azteca, Olímpico, 3 de Marzo, Jalisco, Irapuato, Nou Camp, Tecnologico, Universitário, Neza 86, Cuauhtemóc, Corregidora e La bombonera.












Presenças e Ausências
As eliminatórias tiveram 119 países inscritos e algumas desistências posteriores - a Jamaica, que deu calote nas taxas exigidas pela Fifa, e o Irã, que se recusou a jogar apenas fora de casa. A classificação mais dramática foi a da Escócia. A equipe precisava ao menos empatar com o País de Gales, fora de casa, na última rodada do grupo 7, para ir á repescagem contra o campeão da Oceania. O jogo em Cardiff terminou 1 a 1, e o treinador escocês, Jock Stein, 62 anos, não resistiu. Seu coração parou naquele dia 10 de setembro. Alex Ferguson (aquele que faria história no Manchester United anos depois) foi recrutado para a repescagem contra os australianos. E classificou a equipe. Já a Holanda, com apenas um dos remanescentes dos vices campeonatos em 1974 e 1978, mas com uma renovação que tinha nomes como Gullit, Rijkaard e Koeman. O time disputou uma repescagem com a Bélgica. Perdeu a vaga no critério do gol fora de casa.
A fórmula de disputa sofreu uma mudança significativa. Na Copa de 1982, apenas os 2 primeiros de cada um dos 6 grupos avançavam. A partir de 1986, os 4 melhores terceiros colocados também se classificariam, totalizando 16 times- número ideal para os mata-matas até a decisão do título. Uma tabela pré- programada encaixava os 4 times repescados nos confrontos das oitavas de final. Além disso, a Fifa determinou que os 2 jogos finais de cada chave ocorressem simultaneamente, para evitar marmeladas como de Alemanha e Áustria, em 1982.
Em 15 de dezembro de 1985, a Fifa realizou o sorteio dos grupos e definiu como cabeças de chave o México e os times mais bem colocados no Mundial anterior - Itália, Alemanha, Polônia, França e Brasil. O problema é que, com essa distribuição, as chaves demais ficaram desequilibradas. O grupo B, o do México, parecia fraco demais, com Paraguai, Bélgica e o estreante Iraque. Já o grupo E virou o ´´grupo da morte``, por emparelhar Alemanha, Uruguai, Escócia e Dinamarca. Esta, apesar de estreante, vinha mostrando um futebol que impressionava, a ponto de ganhar o apelido de ´´Dinamáquina`` e comparações com a Holanda dos tempos de Cruyff.
Os participantes dessa Copa foram: Alemanha, Argélia, Argentina, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Escócia, Espanha, França, Hungria, Inglaterra, Iraque, Irlanda do Norte, Itália, Marrocos, México, Paraguai, Polônia, Portugal, União Soviética e Uruguai. Tendo a França cotada como a grande favorita.
Fase de grupos
Grupo A

Argentina
5 pontos, 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 0 derrotas

Itália
4 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 2 empates e 0 derrotas

Bulgária
2 pontos, 3 jogos, 0 vitórias, 2 empates e 1 derrota

Coreia do Sul
1 ponto, 3 jogos, 0 vitórias, 1 empate e 2 derrotas
Grupo B

México
5 pontos, 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 0 derrotas

Paraguai
4 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 2 empates e 0 derrotas

Bélgica
3 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota

Iraque
0 pontos, 3 jogos, 0 vitórias, 0 empates e 3 derrotas
Grupo C

União Soviética
5 pontos, 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 0 derrotas

França
5 pontos, 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 0 derrotas

Hungria
2 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 0 empates e 2 derrotas

Canadá
0 pontos, 3 jogos, 0 vitórias, 0 empates e 3 derrotas
Grupo D

Brasil
6 pontos, 3 jogos, 3 vitórias, 0 empates e 0 vitórias

Espanha
4 pontos, 3 jogos, 2 vitórias, 0 empates e 1 derrota

Irlanda do Norte
1 ponto, 3 jogos, 0 vitórias, 1 empate e 2 derrotas

Argélia
1 ponto, 3 jogos, 0 vitórias, 1 empate e 2 derrotas
Grupo E

Dinamarca
6 pontos, 3 jogos, 3 vitórias, 0 empates e 0 vitórias

Alemanha
3 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota

Uruguai
2 pontos, 3 jogos, 0 vitórias, 2 empates e 1 derrota

Escócia
1 ponto, 3 jogos, 0 vitórias, 1 empate e 2 derrotas
Grupo F

Marrocos
4 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 2 empates e 0 derrotas

Inglaterra
3 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota

Polônia
3 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 1 empate e 1 derrota

Portugal
2 pontos, 3 jogos, 1 vitória, 0 empates e 2 derrotas
Oitavas de Final

México
2
15/6

Bulgária
0

União Soviética
3
15/6

Bélgica
4

Brasil
4
16/6

Polônia
0

Argentina
1
16/6

Uruguai
0

França
2
17/6

Itália
0

Marrocos
0
17/6

Alemanha
1

Inglaterra
3
18/6

Paraguai
0

Dinamarca
1
18/6

Espanha
5
Quartas de Final

Brasil
1
(3)
21/6

França
1
(4)

Alemanha
0
(4)
21/6

México
0
(1)

Argentina
2
22/6

Inglaterra
1

Espanha
1
(4)
22/6

Bélgica
1
(5)
Semifinal

Alemanha
2
25/6

França
0

Argentina
2
25/6

Bélgica
0
Disputa do 3° lugar

França
4
25/6

Bélgica
2
A Final da Copa
Estádio Azteca, 29/6, 12h

Argentina
3

Alemanha
2
Se Maradona jogasse o que havia mostrado nas partidas anteriores, o título estaria no papo para a Argentina. Mas a Alemanha, que se arrastou na Copa, havia eliminado a favorita França e impunha respeito. Principalmente porque, nos primeiros minutos, a equipe do técnico Franz Beckenbauer tomou a iniciativa. Maradona, por sua vez, sofria marcação individual do meia Matthäus. Quando ele escapava, algum outro alemão o colocava no chão. Mas isso teve preço. Aos 15 minutos, Maradona foi derrubado perto do bico da área. Na cobrança da falta, Cuciuffo acabou barrado quase no mesmo lugar. Burruchaga cobrou essa falta para a área, Schumacher saiu mal do gol pelo alto e Brown fez 1 a 0, de cabeça. Maradona teve duas boas chances para ampliar, mas em ambas parou no goleiro. Os alemães, por sua vez, reclamaram de um pênalti, no fim da etapa, mas o árbitro, o brasileiro Romualdo Arpi Filho, marcou fora de área, a 10 cm de risca. Na etapa final, a Argentina fez 2 a 0 aos 10 minutos, com Valdano tocando na saída do goleiro. Mas os argentinos deram mole. E a Alemanha empatou, em duas cobranças de escanteio de Brehme que terminaram em finalizações de Rummenigge e Völler. A 10 minutos do fim, o jogo estava 2 a 2. E Maradona entrou de novo em ação de novo. De seu campo, ele lançou Burruchaga, que ganhou na corrida de Briegel e tocou na saída de Scumacher, aos 38 minutos. Era o gol do título da Argentina.
Campeão: Argentina

Jogo histórico
22/6, 13h, Estádio Azteca

Argentina
2

Inglaterra
1
Em razão da Guerra das Malvinas, 4 anos antes do
confronto, havia uma grande expectativa para esse jogo, no qual os argentinos
viam como uma espécie de revanche da guerra das Malvinas, vencida pelos
ingleses. O jogador que mais incorporou
esse espírito, foi justo o grande nome da equipe argentina, Diego Armando
Maradona, que acabaria sendo o grande destaque da partida, no momento do hino,
literalmente, encarava os ingleses sem nenhum sorriso no rosto.
Nos minutos iniciais, não houveram muitas faltas violentas, e os argentinos
dominaram a posse de bola e as primeiras ações, com Maradona começando suas
jogadas de efeitos e velocidade aos 9 minutos, onde ele passou por 2 marcadores
e só foi parado pelo 3°, sofrendo uma falta de Fenwick e o mesmo recebeu um
cartão amarelo. Nos minutos seguintes a Inglaterra teve 2 chances para marcar,
ambas com Beardsley, e em ambas o goleiro Pumpido defendeu. Maradona, mesmo
sendo marcado por 2, era somente parado com falta e quase abriu o placar
batendo falta, mas a bola passou rente a trave esquerda do goleiro Shilton. 1°
tempo acabou terminando sem gols, porém o 2° tempo aguardava 2 lances icônicos
protagonizados pelo camisa 10 argentino.
Na segunda etapa, Maradona precisou de apenas 6 minutos, quando recebeu na
esquerda passou pelo primeiro marcador, se enfiou no meio de outros dois e
deixou na entrada na área para Valdano que tentou devolver, mas o zagueiro inglês
Fenwick interceptou o passe e chutou a bola para o alto. No entanto, a bola foi
de encontro ao goleiro Shilton de 1,83m, que viu a chegada do baixinho Maradona
de 1,65m e nem pulou muito. Mas o goleiro inglês não contava que, o argentino
usaria de um recurso bem peculiar, o punho fechado e forte que socou a bola de
forma em que o arbítro, não percebesse o truque e validasse o gol, mesmo com a
reclamação dos ingleses. Este lance ficaria eternizado e popularmente conhecido
como ´´La Mano de Dios``. Mas para quem pensou que o show de Maradona havia
acabado, está redondamente enganado, um pouco mais de 10 minutos depois,
Maradona arrancou de antes do meio de campo, percorreu 60 metros em 10 segundos,
passou por 4 marcadores + o goleiro Shilton e tocou para o fundo, sendo esse,
considerado o gol mais bonito em Copas do Mundo no século xx. No final Lineker
descontou para a Inglaterra, mas já era tarde. Final: Argentina 2 x 1
Inglaterra. Argentina classificada. Até os dias de hoje, muitos argentinos se
confundem, pensando que este jogo foi a final da Copa do Mundo.
Curiosidades

Craque
O argentino Diego Maradona

Artilheiro
O inglês Gary Lineker, com 6 gols em 5 jogos

Bola
Azteca

Mascote
Pique;Pimenta típica mexicana com braços e pernas